Serra do Roncador: uma viagem mística no interior do Brasil

artigo publicado em 01/09/2016



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Já ouviu falar na Serra do Roncador? A cadeia montanhosa fica no interior do Mato Grosso, envolta ao leste pelo Rio das Mortes e Rio Araguaia e a oeste pelo Rio Xingu e o Rio Kuluene. Ainda hoje, é a selva mais desconhecida da América do Sul e está rodeada de mistérios e folclore que alimentam o Turismo Místicos e o interesse de muitos pesquisadores (especialmente ufólogos) e turistas.

 

PORTAIS DO RONCADOR

A serra é chamada de “Roncador” por conta dos uivos e sons que o vento faz ao soprar os paredões, fazendo lembrar uma pessoa que ronca. Muitas comunidades místicas fixaram sede na Serra para fazer os seus cultos e rituais de cura, pois acreditam no misticismo do local.

Possui uma extensão gigantesca de mais de 800km de extensão e 600m de altura e vai desde a cidade de Barra do Garças até a Serra do Cachimbo, no Pará. São enormes chapadões que dão a impressão de estarmos diante de um grande canyon e é cheia de grutas, cavernas, galerias, inscrições rupestres e muitos lagos subterrâneos de água cristalina azul-turquesa.

No seu interior, encontra-se o “Portal do Roncador”: um lago de águas cristalinas que, estranhamente, não é habitado por qualquer ser vivo. Outro portal é uma rocha de cristal com cerca de 10m de diâmetro, perfeitamente circular e transparente. Antigamente, essa rocha era utilizada pelos índios Xavantes como um espelho.

Esotéricos e místicos acreditam que aqueles são portais multidimensionais. Mergulhar na lagoa cristalina do Roncador é uma forma de ingresso à mítica Atlântida. A rocha de cristal seria outro acesso e o portal se abre quando os astros estão alinhados.

 

GRUTA DOS PEZINHOS

Serra do Roncador: gruta dos pezinhosA Gruta dos Pezinhos é uma das atrações da Serra que intriga a qualquer um. A gruta fica a 530m de altitude, aproximadamente, no interior do Parque da Serra Azul. Na caverna, é possível ver marcas de pequenos pés por todos os lados – no chão, nas laterais e no até no teto!

Os pés não são idênticos e ninguém sabe de quê ou de quem são. Muitos deles têm seis, quatro ou três dedos e alguns parecem humanos, outros parecem de animais. Como eles fizeram essas pegadas nas paredes e no teto? Ninguém sabe.

O mais curioso é que os índios da tribo Xavante possuem contos e lendas antigas que falam sobre a existência de um “povo pequenino” que morava nessas cavernas. Eles atingiam até 120cm de altura, como crianças, seus crânios eram desproporcionais para o tamanho do corpo. Para os Xavantes, esse povo pequenino como crianças eram considerados uma espécie de semidivindades.

Os pesquisadores sentem dificuldade em avançar com as pesquisas, entretanto, pois embora haja interesse, o acesso à caverna está praticamente interceptado e tudo está regulamentado por entidades públicas.

 

GRUTA SECA

Essa gruta possui uma grande galeria interior. Em seu início, há uma câmara que se estende com diversos túneis que dão acesso às demais câmaras. O fato interessante é que um desses “aposentos” surpreende com formações em pedra que lembram muito nossos mobiliários de hoje. Outra câmara tem exatamente no centro uma formação de estalagmites e estalactites que lembram uma imensa árvore e um dos túneis que dão saída à gruta não podem ser explorados – ao menos não com luz, pois qualquer fonte de luz utilizada acaba por se apagar conforme nos aprofundamos na gruta.  

 

PEDRA S. S. ARRAYA

Essa pedra, que está exibida no Porto dos Pioneiros, onde pode ser visitada, está relacionada à fundação da cidade. Semelhante às muitas cidades interioranas do Brasil, essa região nasceu do garimpo. Vieram pessoas de todos os estados atraídas pela suposta existência da Mina dos Martírios e com os boatos, parcialmente verídicos, da superabundância de diamantes.

Na altura, o comércio era complicado e, conscientes do valor dos diamantes, os garimpeiros acumulavam e guardavam os achados em uma garrafa. Alguns historiadores contam que Simão da Silva Arraya, um expedicionário garimpeiro, teria enterrado uma garrafa repleta de diamantes nas águas do Rio Araguaia e que colocara sobre ela uma pedra para marcar o lugar. Na pedra, riscara o seu nome para facilitar o achado depois “S. S. Arraya – 1871”.

Isso é meramente introdutório, pois o mistério vem agora: mais tarde, quando a pedra foi encontrada, outras inscrições foram observadas além do nome do garimpeiro. Eram marcas antiquíssimas, muito mais velhas que a inscrição de Arraya, sob a forma de diversos círculos concêntricos. O que há de curioso nisso? São as mesmas marcas encontradas nos altares de cultos da civilização Inca.

As mesmas inscrições foram encontradas em diversas outras pedras retiradas do Rio Araguaia, no mesmo local.

 

JARDIM DO SILÊNCIO

Serra do Roncador: Jardim do Silêncio

O Jardim do Silêncio foi descoberto por uma expedição de pesquisadores chamada Nayan Roncador, realizada em Julho de 2013.

A expedição encontrou um terceiro portal – além da rocha de cristal e do Lago Encantando – que só podia ser visto do cimo de um mirante a alguns quilômetros de distância. O portal se trata de uma enorme pedra retangular na vertical – certa de 30m de largura, 50 de altura e 10m de espessura – que acreditavam estar cravado ou incrustado na montanha, ou ao menos é o que parecia quando visto de longe.

Porém, ao chegarem mais perto do bloco, puderam constatar que existiam duas aberturas nas laterais do bloco. Elas davam acesso a um espaço plano e amplo que media, aproximadamente, 15x20 metros, e quase não possuía vegetação – apenas algumas árvores alongadas e sem galhos, com cerca de 10 metros de altura.

Como o local é muito calmo e quieto, foi chamado de “Jardim do Silêncio” pelo grupo da expedição.

 

A EXPEDIÇÃO DO CORONEL FAWCETT

Serra do Roncador: Percy FawcettVocê pode não ter ouvido falar neste britânico, mas certamente conhece personagens inspirados nele e na sua busca – vou revelar depois de contar sua história.

Percy Fawcett é o grande responsável pela fama misteriosa da Serra do Roncador. Ele foi membro da Guarda Real de Inglaterra e era grandemente conceituado como tal. Esteve, pela primeira vez, em solo brasileiro em 1906, atravessando a selva amazônica e, posteriormente, em 1920, como representante mediador da Inglaterra na disputa de territórios entre Brasil e Bolívia. Em 1925, Fawcett realizou uma expedição no interior do Brasil para buscar uma suposta cidade perdida da qual tinha ouvido falar e havia estudado em documentos antigos.

Fawcett teve conhecimento do Manuscrito 512, documento que está em acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e pode ser visualizado na versão digital (o arquivo físico é de acesso altamente restrito). Datado da época colonial brasileira, esse manuscrito é um relato de expedição, todavia de autoria desconhecida, que conta o achado de uma cidade perdida em ruínas pelos expedicionários – cidade que não era conhecida até então.

O documento é chamado de “Relação histórica de uma oculta e grande povoação antiquíssima sem moradores, que se descobriu no ano de 1753” e, nele, os expedicionários narram ter avistado um montanha reluzente pela composição de cristais e a frustração do grupo por não conseguir escalar e transpô-la. O acesso foi achado por acaso, quando um escravo fazia a caça e encontrou um caminho macadamizado que passa pelo interior da motanha. Através do achado, os expedicionários encontraram uma cidade abandonada, parte em ruínas, mas que parecia altamente desenvolvida e muito rica. O autor conta que o caminho possuía três arcos com inscrições que não puderem ser decifradas nem lidas, quer pela altura em que estavam quer pelo desconhecimento da escrita.

O manuscrito 512, entre outras menções à tal civilização, foi o principal motivador da expedição de Fawcett, que levou consigo seu filho Jack Fawcett e um amigo chamado Raleigh Rimmell. A expedição desapareceu sem deixar vestígios e os corpos nunca foram encontrados. Mais de 100 pessoas já morreram, até então, à procura da Expedição Fawcett e outras três equipes de resgates desapareceram no mesmo local. A região continua praticamente inexplorada até hoje.

Há quem diga que Fawcett encontrou a cidade perdida e, por isso, não poderia voltar para manter o segredo. Outros dizem que os membros da expedição foram mortos por indígenas e há ainda quem especule que ele vive em alguma tribo depois de ter perdido a memória na busca.

 

INSPIRAÇÃO

A história de Fawcett inspirou muitos livros e filmes até hoje. Entre os mais famosos estão histórias de Artur Conan Doyle, escritor de Sherlock Holmes, e o conhecidíssimo Indiana Jones, de Steven Spielberg, totalmente baseado no Coronel Percy Harrison Fawcett.

 

E você? O que acha dessa história e desse lugar? Compartilhe a história com seus amigos e monte sua expedição – ou melhor, uma viagem – à Serra do Roncador para já!



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